Em fins do século XVIII a serra da Baixa Verde, local da atual cidade de Triunfo, era arrendada pela quantia de 6$000 por ano a Domingos Pereira Pita, que depois se tornou proprietário. Essa serra foi primitivamente conhecida com a denominação de serra Grande do Pajeú, segundo registros existentes a fls. 123, 124 e 125 do Livro de Tombo da Casa da Torre, de Garcia d’Ávila.
No início do século XIX, em data incerta, chegou a Baixa Verde, procedente de Rodelas, na Bahia, o missionário capuchinho frei Vidal de Frescolero, conhecido por frei Vidal da Penha, natural da província italiana de São José de Leonise. Ele fixou residência no sítio Baixa Verde, em um pequeno terreno que conseguiu com o senhor Domingos Pereira Pita, onde fez o aldeamento dos índios cariris que com ele vieram. Em novembro de 1803 retirou-se para Cabrobó, tendo logo depois assumido o seu lugar o missionário frei Ângelo Maurício Niza, da província italiana de Piemonte. Este, em 1812, fez construir na Baixa Verde uma capelinha que serviu de matriz durante muito tempo, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. Na parte posterior da mesma fez sua residência, que era chamada de convento pelos habitantes locais, e ao lado direito ele construiu um cemitério. Em seguida, tratou de legalizar a posse do terreno dos índios, requerendo ao governador-geral da Capitania, Dr. Caetano Pinto de Miranda Montenegro, meia légua quadrada de terra, a qual foi concedida em sesmaria, no dia 08 de outubro de 1812, em nome do príncipe regente D. João VI. Os marcos que estabeleciam os limites do terreno foram fincados nos lugares denominados Aquiraz, Jaleco, Água Branca e Jardim.
O aldeamento, que nesse tempo era um arraial de casas esparsas, foi se transformando pouco a pouco em um núcleo de população e de casas alinhadas. Assim, cabe a frei Ângelo os foros da fundação da cidade onde ele permaneceu até falecer, em 07 de junho de 1824, após 20 anos de penosos trabalhos de catequese cristã. Com a sua morte a aldeia ficou sem direção, dando-se a dispersão dos índios para vários pontos do sertão. Outros habitantes foram chegando sucessivamente, atraídos pelas excepcionais condições de solos, vegetação sempre verde e fontes perenes. Dedicando-se à agricultura, eles povoaram e fizeram prosperar rapidamente a extinta aldeia. O local, e mesmo toda a serra, começou então a ser conhecido por Baixa Verde.
O nome de Triunfo originou-se de uma luta ocorrida entre a poderosa família dos Campos Velhos, da cidade de Flores, e os habitantes da povoação da Baixa Verde, os quais, querendo ver o progresso da localidade, começaram com a criação de uma feira, com o que os Campos Velhos não concordaram, procurando acabá-la por diversas vezes, até mesmo com perda de vidas, mas não conseguiram. Tal fato fez com que os habitantes da Baixa Verde tratassem de sua independência, a fim de se libertar dos Campos Velhos.
Para isso, em abaixo-assinado solicitaram à Assembleia Provincial e ao Diocesano que a povoação fosse transformada em freguesia e elevada à categoria de vila, o que de fato ocorreu através da Lei Provincial nº 930, de 02 de junho de 1870, que criou a freguesia de Nossa Senhora das Dores, desmembrada da freguesia de Flores, sendo instalada pelo seu primeiro vigário, o padre João Evangelista dos Santos Lima. Essa mesma lei, em seu art. 2º, elevou a povoação da Baixa Verde à categoria de vila, com a denominação de Triunfo, celebrando a vitória que seus habitantes obtiveram contra a família dos Campos Velhos. A vila foi instalada em 08 de janeiro de 1872, pelo presidente da Câmara Municipal da vila de Flores, tenente-coronel Antônio José de Campos Barbosa.
A Lei Provincial nº 1.057, de 07 de junho de 1872, criou a comarca de Vila Bela (atual Serra Talhada), constituída pelo termo do mesmo nome e pela vila de Triunfo. A comarca de Triunfo, desmembrada da comarca de Vila Bela, foi criada pela Lei Provincial nº 1.805, de 13 de junho de 1884, mas só foi instalada no dia 25 de janeiro de 1890, tendo como primeiro juiz de Direito Arthur Eloy de Barros Pimentel. A mesma Lei Provincial nº 1.805 elevou a vila de Triunfo à categoria de cidade, desmembrada da então cidade de Vila Bela.
O município foi constituído no dia 11 de agosto de 1893, adquirindo autonomia legislativa, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre José Barbosa Lima. O primeiro prefeito republicano foi Olympio Elysio do Nascimento Wanderley.
A comarca de Triunfo foi extinta pela Lei Estadual nº 697, de 20 de junho de 1904, passando a termo da comarca de Flores, sendo restaurada pela Lei Estadual nº 1.174, de 1º de maio de 1913. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de quatro distritos: Triunfo, Jericó, Santa Cruz e Santo Antônio. Em divisões datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937 o município é constituído de quatro distritos: Triunfo, Santa Cruz, Laje do Carrapato e Jericó, não constando o distrito de Santo Antônio. Pelo Decreto-lei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, o distrito de Laje do Carrapato passou a denominar-se Jatiúca.
No quadro de divisão territorial fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município aparece com quatro distritos: Triunfo, Baixa Verde, Jatiúca (ex-Laje do Carrapato) e Jericó, não figurando o distrito de Santa Cruz. Pelo Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, os distritos de Baixa Verde e Jericó tiveram as suas denominações alteradas, respectivamente, para Brocotó e Iraguaçu. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950 o município é formado pelos distritos de Triunfo, Brocotó (ex-Baixa Verde), Iraguaçu (ex-Jericó) e Jatiúca.
Pela Lei Estadual nº 1.795, de 17 de dezembro de 1953, o distrito de Brocotó passou a denominar-se Santa Cruz da Baixa Verde. Em divisões datadas de 1º de julho de 1955 e 1º de julho de 1960 o município aparece com quatro distritos: Triunfo, Iraguaçu, Jatiúca e Santa Cruz da Baixa Verde (ex-Brocotó). A Lei Estadual nº 4.973, de 20 de dezembro de 1963, criou o município de Santa Cruz da Baixa Verde, formado pelo distrito de mesmo nome e pelo de Jatiúca, desmembrados de Triunfo. No entanto, por acórdão do Tribunal de Justiça, mandado de segurança nº 56.949, de 31 de julho de 1964, o município de Santa Cruz da Baixa Verde foi extinto, sendo seu território reanexado a Triunfo. A Lei Municipal nº 395, de 19 de maio de 1968, criou mais um distrito em Triunfo, o de Canaã.
Em divisão territorial datada de 1º de janeiro de 1979 o município é constituído de cinco distritos: Triunfo, Canaã, Iraguaçu, Jatiúca e Santa Cruz da Baixa Verde. Os dois últimos foram novamente desmembrados de Triunfo para formar o novo município de Santa Cruz da Baixa Verde, recriado pela Lei Estadual nº 10.620, de 1º de outubro de 1991. Em divisão territorial datada de 1º de junho de 1995 o município aparece com três distritos: Triunfo, Canaã e Iraguaçu, assim permanecendo em divisão de 2005. A comarca de Triunfo é classificada como de 1ª entrância e engloba o termo judiciário de Santa Cruz da Baixa Verde.
Localização no Estado
Origem do Nome
A transição do nome Baixa Verde para Triunfo carrega um forte simbolismo de resistência:
Baixa Verde
Referência geográfica à serra e ao vale de vegetação perene que atraiu os primeiros colonos e missionários.
Triunfo
Nome escolhido para celebrar a vitória (triunfo) dos habitantes locais sobre a poderosa família Campos Velhos, de Flores, na luta pela independência política e comercial da feira local.
Denominação Oficial