No fim do século XVII a primitiva área do município de Tacaratu era ocupada por uma maloca ou ajuntamento de índios pankararus, do grupo linguístico cariri; a maloca denominava-se “Cana-brava”. Posteriormente os índios foram aldeados no lugar chamado Brejo dos Padres, onde fora organizada uma missão dirigida por padres da Congregação de São Felipe Nery. A partir daí, iniciou-se o povoamento da antiga vila de Tacaratu, que tomou o nome de uma das serras existentes na região. Segundo Sebastião de V. Galvão (in Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco), na língua cariri esse topônimo significa “serra de muitas pontas ou cabeças” ou, na língua tupi, “cachoeira” ou, ainda, “calvo, pelado”. Mário Melo, citado por Homero Fonseca (in Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades), interpreta como derivado de ita-quar-atu, significando “a furna curta, a lapa de pouca profundidade, a caverna superficial”.
Através de antigos documentos, sabe-se que em 1752 o local era um curato onde existia uma pequena capela consagrada a Nossa Senhora da Saúde, provavelmente erigida pelos padres congregados que serviam na missão de catequese dos índios. Em setembro de 1760, já um tanto desenvolvida a povoação, os moradores dirigiram uma petição ao bispo diocesano D. Francisco Xavier Aranha solicitando a criação de uma freguesia, a qual foi criada no dia 08 de setembro de 1761, por provisão do bispo, sendo instalada em 1764, pelo padre visitador D. Antônio Teixeira de Lima. Depois de reformada, a primitiva capela passou à condição de igreja matriz (essa igreja foi reconstruída em 1876). Em 17 de março de 1772 foi aprovado, pela Mesa de Consciência e Ordens, em nome do rei D. José de Portugal, o compromisso de uma irmandade das almas, que durante muito tempo funcionou na referida matriz.
No dia 24 de maio de 1808 um Alvará Régio criou o distrito e freguesia de Tacaratu, subordinado ao município de Petrolândia. A Lei Provincial nº 248, de 16 de junho de 1849, elevou Tacaratu à categoria de vila e para ela transferiu a sede do termo de Floresta, então compreendendo as freguesias de Fazenda Grande e Tacaratu. A Lei Provincial nº 345, de 13 de maio de 1854, criou uma comarca no termo de Tacaratu, com os mesmos limites do termo, e sede na vila de Tacaratu. A Lei Provincial nº 620, de 09 de maio de 1865, transferiu a sede do termo e comarca de Tacaratu para o termo de Floresta, ao qual ficou anexo.
Em 1883, com a chegada da ferrovia de Paulo Afonso até Jatobá, o lugar tornou-se uma próspera povoação à margem do rio São Francisco. Em 1º de maio de 1887 a Lei Provincial nº 1.885 elevou o povoado de Jatobá à categoria de vila, para onde foi transferida a sede do município de Tacaratu. Tornou-se município autônomo em 1893, com base no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52, de 03 de agosto de 1892 (Lei Orgânica dos Municípios). O primeiro prefeito republicano foi o capitão Antônio Joaquim Freire Coutinho. Por Lei Municipal de 27 de setembro de 1897 foram criados os distritos de Espírito Santo e Volta do Moxotó, anexados ao município de Tacaratu.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de quatro distritos: Tacaratu, Jatobá (sede), Espírito Santo e Volta do Moxotó. Em dezembro de 1926 a Lei Estadual nº 1.830 transferiu da cidade de Jatobá para a vila de Tacaratu, a sede do município de Jatobá de Tacaratu. A mesma lei elevou a vila de Tacaratu à categoria de cidade enquanto Jatobá voltou a ser vila. Pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, foi extinto o distrito de Espírito Santo, cujo território foi anexado ao distrito de Moxotó. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de três distritos: Tacaratu, Jatobá de Tacaratu e Moxotó. Em 31 de dezembro de 1936 o município aparece com os distritos de Tacaratu, Jatobá (ex-Jatobá de Tacaratu) e Moxotó. Em 31 de dezembro de 1937 o município é formado pelos distritos de Tacaratu, Itaparica (ex-Jatobá) e Moxotó. Pelo Decreto-lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938, o distrito de Moxotó passou a denominar-se Volta.
O Decreto-lei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, criou o município de Itaparica, elevou a vila de Itaparica à categoria de cidade e para ela transferiu a sede do ex-município de Tacaratu, o qual voltou a ser distrito, o segundo do novo município de Itaparica. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, Tacaratu figura como distrito de Itaparica. Pelo Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, o município de Itaparica passou a denominar-se Petrolândia. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o distrito de Tacaratu aparece no município de Petrolândia (ex-Itaparica).
A Lei Estadual nº 1.818, de 29 de dezembro de 1953, desmembrou de Petrolândia o distrito de Tacaratu, o qual foi elevado novamente à categoria de município e sede de comarca, constituído de dois distritos: Tacaratu e Caraibeiras (este último criado no dia 12 de outubro de 1953). Foi reinstalado em 1º de junho de 1954. A comarca foi instalada no dia 23 de outubro de 1954, pelo juiz instalador Antônio de Souza Dantas, e classificada como de 1ª entrância pela Lei Estadual nº 1.846, de 21 de maio de 1954. Desativada a comarca em 1999, Tacaratu passou a ser termo da comarca de Petrolândia. Foi reinstalada no dia 13 de maio de 2000, pelo juiz Edílson Rodrigues Moura, integrando a 1ª entrância. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído pelos distritos de Tacaratu e Caraibeiras, assim permanecendo em divisão de 2005.
Localização no Estado
Origem do Nome
O topônimo Tacaratu possui interpretações variadas que remetem à geografia acidentada da região:
Tacaratu
Significa "serra de muitas pontas ou cabeças", descrevendo o relevo serrano local.
A Furna Curta
Interpretação que remete a "lapa de pouca profundidade" ou "caverna superficial".
Origem Geográfica