Segundo os habitantes mais antigos da localidade, o processo de povoamento do atual município de Riacho das Almas teve início entre 1875 e 1880, quando o coronel Joaquim Bezerra instalou-se com uma fazenda de gado, mandando construir uma casa-grande e diversos casebres para seus escravos; também construiu uma bolandeira (máquina para descaroçar algodão, puxada por boi ou outro animal). Em 1881 foi instalada uma feira no lugar denominado Riacho de Fernandes, a cerca de dois quilômetros da atual sede municipal, sendo no mesmo ano transferida para a localidade Riacho das Éguas, por ordem de Francisco Leite, em virtude de problemas havidos entre a polícia de Limoeiro e os organizadores da feira.
Os desentendimentos ocorreram porque as autoridades de Limoeiro receberam uma denúncia de que se realizava uma feira, nos limites com o município de Caruaru; para lá foi enviado um cabo de polícia e diversos soldados, os quais, no entanto, constataram ser a mesma em Caruaru. Sabedor do ocorrido, o coronel Joaquim Bezerra - homem de muito prestígio em sua época – mandou que a feira fosse transferida para sua fazenda; por isso a feira ficou conhecida como de Riacho das Éguas.
Essa denominação, que foi o primeiro nome do atual município de Riacho das Almas, se deve ao fato de que, em tempos de seca, as éguas iam beber em um poço ali existente num riacho. Segundo habitantes mais antigos, o primeiro cemitério foi construído entre 1887 e 1888.
Em 1884 o coronel Joaquim Bezerra mandou construir um grande açude, que ficou concluído em
1890, só vindo a encher-se no ano de 1892, ocasião celebrada com uma festa. Em 1894 esse mesmo
coronel providenciou a construção de uma engenhoca que só funcionou até 1896, em virtude de grande
chuva caída em 1897, que arrombou o açude, destruindo toda a cana-de-açúcar plantada e parte da
engenhoca. Segundo alguns testemunhos, o coronel Joaquim Bezerra faleceu cerca de dois a três anos
depois, deixando diversos filhos, que venderam a casa-grande ao senhor Joaquim Tomaz, o qual, no
entanto, não chegou a morar na mesma, vendendo-a ao senhor Minze Pinheiro.
Em 1905 o topônimo Riacho das Éguas foi mudado pelo padre José Ananias, alegando que o nome
primitivo era de animal e ficaria mais bonito o de Riacho das Almas, em virtude de o cemitério ter sido
construído à beira do riacho. A Lei Municipal nº 149, de 21 de dezembro de 1919, criou o distrito com
sede em Trapiá, sendo posteriormente transferido para o local onde se encontra a atual cidade. O distrito
integrava o território do município de Caruaru, limítrofe com o de Limoeiro, antes do desmembramento
deste último dos territórios que compõem os atuais municípios de Passira e Caruaru.
A Lei Estadual nº 1.818, de 29 de dezembro de 1953, criou o município de Riacho das Almas,
desmembrado de Caruaru, sendo a sua sede elevada à categoria de cidade. Essa mesma Lei Estadual
nº 1.818 criou a comarca, a qual foi instalada no dia 21 de maio de 1954, pelo juiz José Frederico
Soriano de Souza, que iniciou as suas funções no dia 15 de novembro do mesmo ano. O município foi
instalado no dia 27 de junho de 1954, constituído apenas pelo distrito sede. A comarca foi extinta pelo
Decreto-lei Estadual nº 61, de 05 de agosto de 1969, passando a ser termo judiciário da comarca de
Caruaru. Restaurada pela Resolução nº 10, de 1970 (Código de Organização Judiciária do Estado), é
classificada como comarca de 1ª entrância.
Localização no Estado
A Mudança do Nome
Em 1905 o topônimo Riacho das Éguas foi mudado pelo padre José Ananias, alegando que o nome primitivo era de animal e ficaria mais bonito o de Riacho das Almas, em virtude de o cemitério ter sido construído à beira do riacho.