História Municipal — OURICURI
Exu
18/06/1849
14 de maio

A cidade de Ouricuri e parte do município situam-se em terras que pertenceram a Brígida Maria das Virgens, cabroboense também conhecida como Brígida de Alencar. Essa rica senhora era proprietária de uma extensa área, que havia comprado aos herdeiros da Casa da Torre, descendentes de Garcia de Ávila, chegado ao Brasil a 29 de março de 1549, acompanhando o primeiro governador-geral, Tomé de Souza, na qualidade de almoxarife do governo. A propriedade de D. Brígida se estendia desde a margem esquerda do rio São Francisco, nas imediações de Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista, até as encostas da serra do Araripe, no atual município de Exu. Ela exerceu grande influência nessa região e seu nome deu origem à denominação do rio Brígida. . Com dificuldades para administrar sozinha tantas terras, ela resolveu vendê-las. Assim, várias fazendas nos municípios de Cabrobó, Ouricuri e Santa Maria da Boa Vista foram formadas a partir de terras que lhe pertenceram.

Por volta de 1816 uma parte dessas terras, que forma a circunvizinhança da atual cidade de Ouricuri, foi comprada por João Pereira Goulart e sua mulher Maria de Souza Goulart, provenientes da região do Jaguaribe, no Ceará.

O sítio que ele escolheu para construir sua residência ficava junto a uma árvore frondosa, um tamboril, que determinou tanto a denominação da propriedade quanto do riacho que passava nas suas imediações. Instalados na Fazenda Tamboril eles iniciaram o cultivo da terra e desenvolveram a criação de gado. Com o decorrer do tempo João P. Goulart descobriu um local a cerca de 6 km de sua residência, onde havia abundância de pastagem natural, e para onde ele passou a deslocar o gado, ao final do inverno, para prolongar o período de ordenha. Por causa da ocorrência da palmeira aricuri (Cocos coronata), abundante na região, esse recanto da fazenda tornou-se conhecido como Aricuri. Com o progresso da propriedade e a grande hospitalidade do casal, começaram a surgir novos moradores, iniciando-se assim a formação de um povoado. Foi essa hospitalidade também que propiciou a formação de um caminho ligando o Ceará ao rio São Francisco, e daí à Bahia, passando por Aricuri, cuja casa de hóspedes (construída por João P. Goulart) se tornou um ponto de referência na travessia, onde os viajantes encontravam abrigo e repouso. Muitos desses transeuntes eram padres, em missões evangélicas.

João Pereira Goulart veio a falecer em 1838 e, no dia 12 de março do ano seguinte, Maria de Souza Goulart fez doação pública do seu logradouro de gado Aricuri à igreja, para patrimônio de São Sebastião, de quem era devota. Foi no povoado nascido nesse terreno que se formou a cidade de Ouricuri. O padre Francisco Antônio da Cunha, proprietário de terras adquiridas a Maria de Souza Goulart, tornou-se o administrador da parte doada a São Sebastião, pois representava os interesses da diocese nessa região.

No dia 05 de abril de 1842 chegou a Aricuri o padre Francisco Pedro da Silva, natural da cidade de Souza, na Paraíba. Com 22 anos, recém-ordenado no Seminário de Olinda, ele foi encaminhado para atividades eclesiásticas no oeste pernambucano e recebeu do padre Francisco Antônio da Cunha a incumbência de administrar o patrimônio doado por Maria de Souza Goulart e organizar a povoação ainda com poucas casas. Ao redigir juntamente com o padre Cunha e o juiz da comarca de Cabrobó (Alexandre Bernardino dos Reis e Silva) o documento através do qual solicitavam à igreja a criação da freguesia de São Sebastião, modificaram a grafia do topônimo que, por questão de eufonia, passou a Ouricuri, designação aceita pela Assembleia Provincial. A partir de então ficou oficialmente extinto o topônimo Aricuri. A freguesia de São Sebastião de Ouricuri foi criada pela Lei Provincial nº 124, de 20 de abril de 1844 (desmembrada da de Exu), tendo como sede a faixa de terra que passou a ser conhecida por Patrimônio de São Sebastião; o padre Francisco Pedro foi designado para o cargo de pároco. O distrito de Ouricuri foi criado pela Lei Provincial nº 125, do dia 30 de abril de 1844, vinculado ao território da vila de Exu.

O vocábulo Ouricuri, segundo alguns estudiosos (citado in Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades), é derivado do tupi uriku’ri. Segundo Mário Melo, citando Alfredo Carvalho, é uma corruptela de ary-curii, significando “o cacho amiudado, ou repetido, o que dá cacho de contínuo”. Luiz Caldas Tibiriçá define como vindo de uricuri, significando “o fruto da palmeira urucuriyba”.

O padre Francisco Pedro, que se tornara vigário colado da freguesia em 1846, passou então a receber donativos para erguer a matriz em local escolhido por ele, tendo, inicialmente, construído um pequeno açude que foi chamado de Nossa Senhora (esse açude foi aterrado em 1965 para atender ao crescimento da cidade). A construção da matriz de São Sebastião foi iniciada em 1847 e concluída em 1865, 18 anos depois. Em 20 de novembro de 1846 a Lei Provincial nº 172 desmembrou da freguesia de São Sebastião de Ouricuri a parte denominada Riacho da Graça, a qual passou a pertencer à freguesia de Santa Maria, da comarca da Boa Vista (atual Santa Maria da Boa Vista). A vila de Ouricuri foi criada pela Lei Provincial nº 249, de 18 de junho de 1849, que transferiu a sede do termo de Exu para a povoação de Ouricuri. A vila foi instalada em 08 de novembro de 1850.

A sede da comarca da Boa Vista foi transferida para a vila de Ouricuri pela Lei Provincial nº 260, de 10 de junho de 1850. A Lei Provincial nº 520, de 13 de maio de 1862, dividiu a comarca da Boa Vista em duas partes, pertencendo à antiga os termos da Boa Vista e Ouricuri, e à nova, denominada Cabrobó, os termos de Cabrobó e Exu. A Lei Provincial nº 1.057, de 07 de junho de 1872, criou a comarca de Ouricuri abrangendo os termos de Ouricuri e Granito. A comarca foi instalada no ano seguinte, juntamente com o termo de Granito, pelo seu primeiro juiz de Direito, Manoel Caldas Barreto. Atualmente é classificada como de 2ª entrância e abrange os termos judiciários de Santa Cruz e Santa Filomena.

A respeito do padre Francisco Pedro, convém ressaltar que ele se tornou político pelo Partido Liberal, tendo sido eleito deputado provincial pelo 13º Distrito de Pernambuco de 1860 a 1890, para os períodos correspondentes da 12ª à 17ª legislaturas, e seu presidente nas sessões de 1866 e 1867. Ele foi agraciado pelo Imperador D. Pedro II com os títulos de Cavaleiro da Ordem da Rosa (em 14 de março de 1860) e Cavaleiro da Ordem de Cristo (em 19 de junho do mesmo ano). Em 1865 ele enviou pessoal para o 7º Batalhão de Voluntários da Pátria, a fim de combater na Guerra do Paraguai. Por essa razão ele foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Cristo. Ele viveu 68 anos em Ouricuri, permanecendo à frente de sua paróquia até os 90 anos, quando faleceu no dia 07 de outubro de 1910.

Ouricuri tornou-se município autônomo em 1º de julho de 1893, com base no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892. Compunha-se, então, de cinco distritos: vila de Ouricuri (sede), Barra de São Pedro, Serra Branca, São Gonçalo (hoje município de Araripina) e Sítios Novos (atual município de Santa Filomena). O primeiro prefeito foi o tenente-coronel Elias Gomes de Souza, eleito em 30 de setembro de 1892.

A vila de Ouricuri recebeu foros de cidade através da Lei Estadual nº 606, de 14 de maio de 1903. Em 10 de janeiro de 1914 a Lei Municipal nº 46 criou o distrito de Morais e, em 23 de janeiro de 1915, a Lei Municipal nº 51 criou o distrito de Santa Cruz, ambos vinculados a Ouricuri. Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1º de setembro de 1920, o município aparece com os seguintes distritos: Ouricuri, Barra de São Pedro, São Gonçalo, Serra Branca, Queimadas, Morais, Santa Cruz e São Félix. Os distritos de São Gonçalo e Morais foram desmembrados de Ouricuri, para formar o novo município de São Gonçalo (atual Araripina), pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928. Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município aparece com os seguintes distritos: Ouricuri, Barra de São Pedro, Olho d’Água, Santa Cruz, Santa Filomena, Serra Branca e São Félix. Em 1938 o distrito de Santa Cruz passou a denominar-se Vera Cruz. Pelo Decretolei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, Ouricuri perdeu os distritos de São Félix (anexado ao município de Bodocó) e Olho d’Água (anexado ao município de São Gonçalo). O mesmo decreto alterou a denominação de Barra de São Pedro para Imbiassaba.

Na divisão territorial fixada para vigorar no qüinqüênio 1939-1943, o município aparece com os distritos de Ouricuri, Imbiassaba (ex-Barra de São Pedro), Santa Filomena, Serra Branca e Vera Cruz (ex-Santa Cruz). Pelo Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Vera Cruz passou a denominar-se Cruz de Malta, Santa Filomena passou a Munduri e foi criado o distrito de Ipubi (formado por território desmembrado do de Serra Branca). No qüinqüênio 1944-1948 o município ficou assim constituído: Ouricuri, Cruz de Malta (ex-Vera Cruz), Ipubi, Manacá (ex-Imbiassaba), Munduri (exSanta Filomena) e Serra Branca. Em 31 de dezembro de 1963 o município aparece com quatro distritos: Ouricuri, Barra de São Pedro (ex-Manacá), Cruz de Malta e Santa Filomena (ex-Munduri). O distrito de Santa Cruz (ex-Cruz de Malta) foi elevado à categoria de município, desmembrado de Ouricuri, pela Lei Estadual nº 10.623, de 1º de outubro de 1991. Em 29 de setembro de 1995 a Lei Estadual nº 11.263 criou o município de Santa Filomena, formado pelo distrito de mesmo nome, desmembrado de Ouricuri. Atualmente o município é formado pelo distrito-sede e por Barra de São Pedro.

Localização no Estado

Mapa de Pernambuco com a localização de OURICURI em destaque
Localização de OURICURI no Sertão do Araripe de Pernambuco

Origem do Nome

Primitivo
Aricuri / Tamboril

Originalmente chamado Tamboril (devido à árvore frondosa) e depois Aricuri, pela abundância da palmeira Cocos coronata.

Atual
Ouricuri

Modificação de "Aricuri" por questões de eufonia sugerida pelo Padre Francisco Pedro e autoridades locais em 1844 ao solicitarem a criação da freguesia.

Designação oficializada em 1844

Fontes

Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. 2006. V. 3
AQUINO, Raul. Ouricuri: história e genealogia. Recife: FIAM; CEHM, 1982.
ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 18.