Itamaracá abrigou um dos mais antigos núcleos habitacionais da colônia portuguesa, já que remontam a 1508 as primeiras referências a essa ilha. No entanto, existem relatos (Documentação Territorial Brasileira, do IBGE) da presença de náufragos portugueses e piratas franceses nessa ilha, antes mesmo do descobrimento oficial do Brasil. Informa-se até o nome de dois portugueses (João Coelho da Porta da Cruz e Duarte Pacheco Pereira) que teriam estado no Brasil em 1493 e 1498, respectivamente.
Em 1526, no local hoje conhecido por Vila Velha, à margem esquerda do canal de Santa Cruz, já eram celebradas missas na igreja de Nossa Senhora da Conceição, pelo padre Francisco Garcia. Em 1530 a povoação já contava com mais de 100 habitações e uma Casa de Misericórdia. A Capitania de Itamaracá, mais antiga que a de Pernambuco, foi criada em 1° de setembro de 1534, quando D. João III passou, em Évora, uma carta de doação em favor de Pero Lopes de Souza. Compreendia um lote com 30 léguas de costa e estendia-se da baía da Traição (Paraíba) a Igarassu, incluindo a ilha de Itamaracá.
O Foral, pelo qual o rei estabelecia uma série de direitos e obrigações para os donatários, foi expedido em 06 de outubro de 1534. No mesmo ano foi fundada, por Francisco de Braga, no sítio onde houvera uma feitoria francesa, a Vila Marial ou de N. Senhora da Conceição de Itamaracá. Desde a sua fundação, portanto, a localidade já recebeu o título de vila. Francisco de Braga era lugar-tenente do donatário Pero Lopes de Souza, de quem recebera a função de administrar a capitania. Em 1540 João Gonçalves, novo representante do donatário, foi nomeado governador de Itamaracá. Em virtude de um acidente com a embarcação em que viajava ele só conseguiu chegar a Itamaracá em 1548. No mesmo ano elevou a Feitoria de Itamaracá à categoria de vila, a qual passou a ser sede da capitania. Através de um regulamento de 09 de maio de 1609, a capitania de Itamaracá ficou subordinada à da Paraíba, que fora criada em 1585.
Essas terras foram concedidas aos fidalgos trazidos por seu pai e por ele próprio. Um desses nobres foi João Paes Barreto (5º avô do marquês do Recife), a quem coube a sesmaria ao sul do mencionado rio, onde Essas terras foram concedidas aos fidalgos trazidos por seu pai e por ele próprio. Um desses nobres foi João A conquista de Itamaracá pelos holandeses, iniciada em 1631, quando construíram o Forte Orange, só se completou em 1633, ocasião em que os invasores, tendo recebido reforços, se organizaram e , sob o comando de Segismundo von Schkoppe , atacaram a vila , forçando o capitão-mor de Itamaracá , Salvador Pinheiro , a capitular com os 180 homens que compunham a sua guarnição. Em homenagem ao comandante da tropa holandesa, o nome de Vila da Conceição foi mudado para Vila Schkoppe. Através de carta régia de 22 de dezembro de 1672, a capitania de Itamaracá ficou subordinada à de Pernambuco (quanto ao governo militar) e à da Bahia (quanto à Justiça e à Fazenda). A sede da vila foi mudada para Goiana por provisão régia de 15 de janeiro de 1685, retornando para Itamaracá em 20 de novembro de 1709, também por provisão régia.
Em 06 de outubro de 1742, outra provisão régia transferiu novamente a sede da vila para Goiana. Em 1756, com a morte de seu último donatário, foi extinta a capitania de Itamaracá, ocasião em que o governador de Pernambuco tomou posse da mesma em nome da Coroa. Alguns autores mencionam esse fato como tendo ocorrido em 1763.
Em 30 de maio de 1815, por alvará régio, Itamaracá (que à época pertencia a Goiana) passou a termo da comarca de Olinda, juntamente com os termos de Igarassu, Goiana e Paudalho. Em 20 de maio de 1833, por Resolução do Conselho do Governo de Pernambuco, o termo de Itamaracá passou a integrar a então criada comarca do Recife, juntamente com os termos de Recife, Cabo, Olinda e Igarassu. Em 08 de maio de 1840, a Lei Provincial n° 86 suprimiu a vila de Itamaracá, que foi anexada à comarca da cidade de Goiana. A Lei Provincial n° 138, de 08 de abril de 1845, restaurou a vila de Itamaracá e transferiu a sua sede para a povoação do Pilar, mas essa lei foi revogada pela Lei Provincial n° 149 , de 30 de março de 1846. O distrito de Itamaracá foi criado pela Lei Provincial n° 676, de 1° de maio de 1866, e pela Lei Municipal n° 01, de 30 de novembro de 1892, fazendo parte de Igarassu, que veio a se tornar município autônomo em 28 de fevereiro de 1893, com base no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892. A mesma Lei Provincial n° 676 , de 1º de maio de 1866 , transferiu a sede da freguesia de Itamaracá para a povoação do Pilar , da mesma freguesia.
Pelo Decreto-lei Estadual n° 92, de 31 de março de 1938, o distrito de Itamaracá passou a denominar-se
Pilar. Em 09 de dezembro de 1938, através do Decreto-lei Estadual n° 235, o distrito de Pilar voltou a
denominar-se Itamaracá. O distrito foi elevado à categoria de município, desmembrado de Igarassu, pela Lei
Estadual n° 3.338, de 31 de dezembro de 1958, com a mesma denominação e tendo por sede o antigo distrito.
Foi instalado em 17 de março de 1962. A comarca de Itamaracá, criada pela mesma lei que criou o município,
foi instalada no dia 19 de maio de 1962, pelo juiz Humberto da Costa Soares. A comarca foi extinta pelo
Decreto-lei Estadual nº 61, de 05 de agosto de 1969, passando a termo judiciário de Igarassu até 1981, quando
foi restaurada pela Lei Estadual nº 8.879, de 07 de dezembro de 1981, mas apenas reinstalada em 20 de
dezembro de 1989. É classificada como comarca de 2ª entrância. Pelo Decreto-lei Estadual n° 62, de 12 de
novembro de 1997, o município passou a denominar-se Ilha de Itamaracá. O topônimo vem do tupi ita-maracá,
interpretado por alguns autores como “pedra que canta” ou “pedra sonante”. Na realidade, o vocábulo designa
um chocalho feito de pedrinhas (ita: pedra + maracá: chocalho)
Localização no Estado
Origem do Nome
Ita-maracá
Popularmente interpretado como "pedra que canta" ou "pedra sonante", referindo-se ao som produzido por pedras ao serem percutidas.
Chocalho de Pedra
Análises linguísticas sugerem que o termo designa o instrumento maracá (chocalho) feito ou preenchido com ita (pedra).
Interpretação Tupi