História Municipal — IGARASSU
1535 (Alvará Régio)
03/07/1895
27 de setembro

Segundo a tradição histórica, Igarassu foi o primeiro núcleo a ser povoado em Pernambuco. Em 09 de março de 1535, Duarte Coelho Pereira, que havia recebido de D. João III a capitania de Pernambuco, fundeou a armada no porto de Itamaracá e desembarcou com sua família e parentes próximos, no local conhecido como sítio dos Marcos, à margem do rio Igarassu (na grafia da época, Iguarassu), limite de suas terras com as da capitania de Itamaracá. Com o apoio de Francisco Braga, representante de Pero Lopes de Souza (donatário de Itamaracá), Duarte Coelho penetrou no canal de Santa Cruz, estabelecendose em um forte de madeira, na feitoria de Cristóvão Jacques (a primeira oficialmente instalada em Pernambuco, em 1516), que ficava em seu território. No local ele fincou um marco de pedra que indicava o limite norte de sua capitania, dando início ao processo de colonização do Brasil. Depois de algum tempo subiu o rio Igarassu, atravessando a parte em que ele corta os manguezais.

Ainda em 1535, construiu em uma colina a vila dos santos Cosme e Damião de Igarassu, que lhe serviu de abrigo e sede de governo por dois anos. Nesse mesmo ano de 1535 um Alvará lavrado por D. João III conferiu a Igarassu a mercê do título de vila, denominando-a de “Muito nobre, sempre leal e mais antiga vila de Santa Cruz de SS. Cosme e Damião”. Data também desse ano a construção da igreja de São Cosme e Damião, considerada a mais antiga do país.No entanto, há indícios de que o vilarejo tenha sido fundado em 27 de setembro de 1537, após a submissão dos caetés, quando então os colonizadores fizeram erigir no local da vitória a capela consagrada aos santos Cosme e Damião. A esses santos é atribuído um milagre, em 1685, quando as cidades de Recife, Olinda, Itamaracá e Goiana foram assoladas pela febre-amarela e Igarassu escapou ilesa da epidemia.

O distrito de Igarassu foi criado em 1550, com a denominação de Iguarassu. Alguns historiadores interpretam o topônimo como proveniente de igara (canoa) + assu (grande), referência às caravelas dos colonizadores. Outra versão seria: i-gua (água redonda, ou seja, enseada) + assu (grande), coerente com a geografia da região, e provavelmente já utilizada para denominar o rio, antes da chegada dos europeus. A vila foi atacada e saqueada em 1º de maio de 1632, durante a ocupação holandesa, pelo general Werdenbourg, no comando de 1.500 homens que haviam saído do Recife às 11h da noite anterior, guiados por Calabar. O ataque ocorreu por ocasião da missa.

Em 1742, a Câmara da vila de Igarassu procedeu à demarcação dos limites do seu território com os de Goiana, atendendo à determinação de uma Provisão Régia de 29 de agosto de 1740. Em 1782 foram tombadas as terras do município que assim ficaram fixadas com o termo da vila de Olinda, guardando-se o que a respeito prescreve o Foral de Olinda, de 12 de março de 1537.

Em 30 de maio de 1815, através de Alvará Régio, a vila e o termo de Igarassu passaram a integrar o território da então criada comarca de Olinda, juntamente com os termos de Itamaracá, Goiana e Paudalho. Em 15 de setembro de 1828 foi criado o distrito eleitoral de Igarassu, quando uma resolução do Conselho do Governo de Pernambuco transformou essa vila em uma das cabeças de distrito da Província.

A comarca de Olinda foi extinta em 20 de maio de 1833 por resolução do Conselho do Governo de Pernambuco, datada de 11 de maio, em sessão que aprovou o projeto de divisão de termos e comarcas. Essa resolução determinou que Olinda e Igarassu passassem a termos da então criada comarca de Santo Antônio do Recife, juntamente com os termos de Itamaracá e Cabo.

A Lei Provincial nº 520, de 13 de maio de 1862, restaurou a comarca de Olinda, desmembrando da comarca de Santo Antônio do Recife os termos de Olinda e Igarassu. A comarca de Igarassu, desmembrada da comarca de Olinda, foi criada pela Lei Provincial nº 1.057, de 07 de junho de 1872

O primeiro juiz, que assumiu em 1873, foi Hermógenes Sócrates Tavares de Vasconcellos. Atualmente é classificada como comarca de 2ª entrância.

Igarassu passou a contar com serviços telegráficos em agosto de 1876. O município foi constituído no dia 28 de fevereiro de 1893, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre José Barbosa Lima. Seu primeiro prefeito foi o coronel João Francisco do Amaral. Foi elevado à categoria de cidade em 03 de julho de 1895, através da Lei Estadual nº 130.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é composto de três distritos: Iguarassu, Itapissuma e Pilar. A Lei Municipal nº 31, de 15 de dezembro de 1916, extinguiu o distrito de Itapissuma, o qual foi recriado pela Lei Municipal nº 105, de 25 de outubro de 1922, integrado ao município de Iguarassu. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de quatro distritos: Iguarassu, Itamaracá (ex-Pilar), Itapissuma e Chã de Estevão (criado pela Lei Municipal nº 42, de 10 de fevereiro de 1920, com sede no povoado de Três Ladeiras). Pelo Decreto-lei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, o município de Iguarassu passou a denominar-se Igarassu e o distrito de Chã de Estevão a denominar-se Arassoiaba. A mesma lei desmembrou de Igarassu o povoado de Maricota, o qual foi transformado em 2º distrito do município de Paulista, que fora criado no dia 04 de setembro de 1935.

Em divisão datada de 1º de julho de 1950, o município é constituído de quatro distritos: Igarassu, Arassoiaba, Itamaracá e Itapissuma. A Lei Municipal nº 148, de 30 de maio de 1953, criou os distritos de Nova Cruz (desmembrado do distrito sede) e Três Ladeiras (desmembrado do distrito de Arassoiaba). Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955, o município é constituído de seis distritos: Igarassu, Itamaracá, Itapissuma, Nova Cruz, Três Ladeiras e Araçoiaba (ex-Arassoiaba), cuja grafia fora alterada pela Lei Estadual nº 1.819, de 31/12/1953. Os distritos de Itamaracá, Itapissuma e Araçoiaba foram desmembrados de Igarassu e elevados à condição de municípios, respectivamente pelas Leis Estaduais nº 3.338 (de 31 de dezembro de 1958), nº 8.952 (de14 de maio de 1982) e nº 11.230 (de 13 de julho de 1995).

O passado de Igarassu é marcado pela sua participação em lutas libertárias, como a Revolução Praieira, deflagrada em Olinda no dia 07 de novembro de 1848, entre os revoltosos (os praieiros) e as forças do governo (os legalistas). A primeira batalha dessa revolução foi travada no dia 10 do mesmo mês, em Maricota, então povoado de Igarassu. Na ocasião as tropas do coronel Manoel Pereira de Morais (proprietário do Engenho Inhamã) ficaram instaladas no Convento de Santo Antônio, construído em 1588 pelos franciscanos. Hoje, no local, funciona o Museu Pinacoteca, que guarda um dos acervos mais representativos sobre a fase colonial brasileira. No dia 10 de outubro de 1972, visando proteger e resguardar o rico acervo da cidade, o Governo Federal, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tombou o conjunto arquitetônico da nucleação histórica , com uma área de 396.202 m².

Localização no Estado

Mapa de Pernambuco com a localização de IGARASSU em destaque
Localização de IGARASSU na Região Metropolitana do Recife

Origem do Nome

Náutica
Igara-assu

Tradução do tupi para "Canoa Grande", uma referência direta às caravelas europeias que fundearam no rio e impressionaram os nativos.

Geografia
I-gua-assu

Interpretado como "Grande Enseada" ou "água redonda", descrevendo a formação natural do rio e dos manguezais antes da colonização.

Interpretação Geográfica

Fontes

Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. Recife: CEHM, 2006.
ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 18.
FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: CEPE, 2009.
GALVÃO, Sebastião de V. Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. Recife: CEPE, 2006. v. 1
PERNAMBUCO. Tribunal de Justiça. História das Comarcas Pernambucanas. 2ª ed. Recife, 2010