Segundo a tradição local, a penetração do território do atual município de Glória do Goitá foi feita por negros lavradores, dirigidos por David Pereira do Rosário que recebera, de uma neta de Duarte Coelho, uma parte de terras de grande mata virgem. David Pereira do Rosário fixou residência no sítio denominado Lagoa Grande (por existir ali uma grande lagoa) onde, em 1760, construiu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Glória. Tal fato atraiu novos moradores ao local e, em breve, constituiu-se um núcleo de população e de casas arruadas. Por volta de 1775 chegaram os frades do Mosteiro de São Bento de Olinda, o qual tinha comprado, herdado e recebido por doação um total de três mil braças de terras de sesmaria, na ribeira do Guaytá ou Goitá, como é conhecido até hoje , a fim de fazer a catequese dos moradores. A Lei Provincial nº 38, de 06 de maio de 1837, criou uma paróquia na capela curada de Nossa Senhora da Glória do Goitá, pertencente a Paudalho, abrangendo porções das freguesias Luz e Paudalho. A paróquia foi instalada em 15 de setembro do mesmo ano, sendo seu primeiro pároco o padre Joaquim Inácio Gonçalves da Luz, falecido em 1869.
A freguesia foi elevada à categoria de município (vila e termo) em 09 de julho de 1877, pela Lei Provincial nº 1.297, com território desmembrado de Paudalho, mantendo os mesmos limites da freguesia. O município foi instalado em 10 de janeiro de 1878. No dia 05 de junho do mesmo ano foi criado o foro civil por Ato do governo da província, sendo instalado em 31 de julho.
A Lei Provincial nº 1.805, de 13 de junho de 1884, elevou o termo de Glória do Goitá à categoria de comarca, desmembrado da comarca de Paudalho. A sede municipal recebeu foros de cidade em virtude da Lei Provincial nº 1.811, do dia 27 junho de 1884. A comarca só foi instalada no governo republicano, em 07 de janeiro de 1890, pelo seu primeiro juiz de direito, Dr. João Augusto de Albuquerque Maranhão. A criação do distrito foi confirmada por lei municipal de 12 de julho de 1892, quando também foi criado o distrito de Duarte Dias. O município foi constituído no dia 25 de janeiro de 1893, adquirindo autonomia legislativa, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre José Barbosa Lima. Em 08 de janeiro de 1908, através de lei municipal, foi criado o distrito de Chã de Alegria, o terceiro do município de Glória do Goitá. A Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, criou o distrito de Jardim, anexado a Glória do Goitá. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de quatro distritos: Glória do Goitá, Duarte Dias, Chã de Alegria e Jardim. Pelo Decreto-lei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, o distrito de Jardim passou a denominar-se Feira Nova. O Decreto-lei Estadual nº 503, de 19 de junho de 1940, modificou os limites entre os municípios de Glória do Goitá e Paudalho. Pelo Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Duarte Dias passou a denominar-se Apoti. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o município aparece com quatro distritos: Glória do Goitá, Apoti (ex-Duarte Dias), Chã de Alegria e Feira Nova (ex-Jardim). A Lei Estadual nº 4.945, de 20 de dezembro de 1963, criou o município de Feira Nova, desmembrado de Glória do Goitá. Na mesma data, a Lei Estadual nº 4.985 criou o município de Chã de Alegria, também desmembrado de Glória do Goitá. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1968 o município é constituído de dois distritos: Glória do Goitá e Apoti, assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Localização no Estado
Origem do Nome
Nossa Senhora da Glória
Homenagem à padroeira da capela construída em 1760 por David Pereira do Rosário no sítio Lagoa Grande.
Ribeira do Goitá
Referência ao Rio Goitá (ou Guaytá). O termo Goitá tem origem indígena e batiza a região desde os tempos das sesmarias beneditinas.
Topônimo Composto