A ocupação do território onde se localiza o município de Carpina foi determinada por duas vias de acesso: uma pelo norte, a partir de Goiana, seguindo o rio Tracunhaém e ultrapassando as suas nascentes; outra mais ao sul, partindo do litoral e acompanhando o rio Capibaribe, uma das rotas oficiais dos “caminhos das boiadas”. Os primeiros desbravadores a chegar, a partir da segunda metade do século XVII, foram os exploradores do pau-brasil e os criadores de gado; em seguida surgiram os engenhos de cana-de-açúcar. A atividade madeireira se destacava como complementar e dependente da açucareira, pela necessidade de confecção de caixotes para o acondicionamento do açúcar a ser embarcado para a Coroa. Em 1870 veio do Recife um grupo formado por 16 portugueses, uns carpinteiros, outros marceneiros, chefiados por Francisco Coelho, atraídos pela existência de uma grande área de mata virgem, em terras sem dono entre Nazaré e Paudalho (informação baseada em registros orais). A respeito da origem do topônimo Carpina, Sebastião de Vasconcelos Galvão (in Dicionário Corográfico Histórico e Estatístico de Pernambuco) cita o testemunho do cônego Antônio Domingos de Vasconcellos Aragão (falecido em 1899), que durante muitos anos foi auxiliar e vigário pro-pároco de Paudalho (Pau d’Alho, na grafia da época): “À margem meridional da estrada de rodagem existia, até 1882 mais ou menos, um tanoeiro por nome Luiz José de Mello, homem já não moço, a quem os almocreves e viajantes chamavam o carpina quando demandavam a chã ou planalto em que o mesmo tinha sua tenda e residia.” Ainda segundo Galvão, esse testemunho foi confirmado pelo vigário de Tracunhaém, padre Basílio Gonçalves da Luz, falecido em 1906. José Luiz de Mello era dono de uma bodega onde atendia os comboieiros que demandavam o Recife e vice-versa. O local ficou conhecido como “Chã do Carpina”. Em documentos do IBGE, no entanto, é informado que o tanoeiro se chamava Martinho Francisco de Andrade Lima e que teria vivido na chã até 1822. A palavra carpina vem do tupi kara’pina, significando “o que lavra ou apara, carpinteiro” (Dicionário Houaiss).
Em 20 de fevereiro de 1882 foi aberta ao tráfego a linha férrea para a cidade de Limoeiro, ficando Chã do Carpina como estação intermediária, tornando-se mais importante por servir de entroncamento para o ramal de Nazaré (atual Nazaré da Mata). A abertura da ferrovia incrementou o comércio da estação e abriu caminho para o rápido crescimento da população. Foram construídas moradias de taipa, cercadas pelas roças e culturas de subsistência. Posteriormente, João Batista de Carvalho, um dos mais antigos moradores, teve a idéia de desapropriar roçados e mocambos de diversos terrenos, para a abertura da primeira praça de Carpina, onde hoje está situada a Av. Joaquim Nabuco. O lugar começou a se desenvolver a partir de 1888, com a chegada de mais moradores e a construção de novas casas, para o que também concorreu seu ótimo clima. O povoado tornou-se distrito de Paudalho pela Lei Municipal nº 12, de 15 de dezembro de 1901, com a denominação de Floresta dos Leões. A sua sede foi elevada à categoria de vila pela Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909. A denominação de Floresta dos Leões foi uma homenagem ao líder da Revolta Pernambucana de 1817, João Souto Maior, apelidado de Leão de Tejucupapo, e a seus seguidores, chamados os “leões”, que se haviam refugiado na Chã do Carpina, após um combate travado com as tropas governistas. Existe outra versão segundo a qual a homenagem, não intencional, teria sido aos pernambucanos heróis da Guerra dos Mascates (em 1710, entre Recife e Olinda), os quais, fugindo das perseguições do inimigo vencedor, se refugiaram numa mata em Tracunhaém, liderados por Leão Falcão Eça (citado por F. A. Pereira da Costa, in Anais Pernambucanos).
A freguesia foi criada no dia 13 de março de 1910, ligada à paróquia de Paudalho; para assumi-la foi nomeado o padre Antônio de Lima Cavalcanti. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, Floresta dos Leões aparece como distrito de Paudalho. Até 1928 a vila de Floresta dos Leões pertencia parte ao município de Paudalho e parte ao de Nazaré, separados pelos trilhos da estrada de ferro da Great Western British Railway (posteriormente Rede Ferroviária Federal). A Lei Estadual nº 1.931 de 11 de setembro de 1928, criou o município de Floresta dos Leões e elevou a sua sede à categoria de cidade. O novo município era constituído por dois distritos: Floresta dos Leões (desmembrado de Paudalho e Nazaré) e Lagoa do Carro (desmembrado de Nazaré). Foi instalado em 1º de janeiro de 1929. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece com dois distritos: Floresta dos Leões e Lagoa do Carro, assim permanecendo em divisões territoriais de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.
A comarca de Floresta dos Leões foi criada no dia 13 de junho de 1934, sendo instalada no mesmo ano pelo juiz João Cabral de Melo Filho. Pelo Decreto-lei nº 235, de 09 de dezembro de 1938, o município de Floresta dos Leões passou a denominar-se Carpina (comarca – termo – município – distrito sede – cidade), ao qual continuou pertencendo o distrito de Lagoa do Carro. O Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, extinguiu a comarca de Carpina, que passou a ser termo da comarca de Nazaré. Mas a comarca foi restaurada pelo Decreto-lei Estadual nº 1.116, de 14 de fevereiro de 1945, dando execução ao Decreto-lei Federal nº 7.300, do dia 06 desse mesmo mês e ano. O juiz reinstalador foi Júlio José Bezerra. A comarca é classificada como de 2ª entrância e abrange o termo judiciário de Lagoa do Carro. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído pelos distritos de Carpina (ex-Floresta dos Leões) e Lagoa do Carro, assim permanecendo em divisões territoriais de 1º de julho de 1955 e 1º de julho de 1960. A Lei Estadual nº 4.949, de 20 de dezembro de 1963, desmembrou de Carpina o distrito de Lagoa do Carro, elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada do dia 31 do mesmo mês e ano, Carpina é constituído apenas pelo distrito sede. No entanto, por acórdão do Tribunal de Justiça, mandado de segurança nº 57.132, de 03 de setembro de 1964, foi extinto o município de Lagoa do Carro, cujo território foi reincorporado ao de Carpina. Em divisão territorial datada de 1º de janeiro de 1979 o município de Carpina aparece com os distritos de Carpina e Lagoa do Carro, assim permanecendo em divisão de 18 de agosto de 1988. A Lei Estadual nº 10.619, de 1º de outubro de 1991, recriou o município de Lagoa do Carro, formado pelo distrito de mesmo nome, desmembrado de Carpina. Em divisão territorial datada de 1º de junho de 1995, Carpina é constituído apenas pelo distrito sede, assim permanecendo em divisão territorial de 2003.
Localização no Estado
Origem do Nome
Chã do Carpina
Referência a um tanoeiro/carpinteiro (Luiz José de Mello ou Martinho Francisco) que residia no planalto e atendia tropeiros.
Carpina
Do tupi kara’pina, significando “o que lavra ou apara, carpinteiro”.
Origem Tupi