História Municipal — CABROBÓ
Boa Vista / Belém
13/05/1854
11 de setembro

Segundo relatos de descendentes de primitivos moradores, a região onde se situa o município de Cabrobó era habitada por indígenas conhecidos como Rodelas de Cabrobó. Posteriormente, o Sr. Francisco Dias d’Ávila II, pertencente à dinastia sertanista da Casa da Torre, instalou-se com uma fazenda de criação de gado, havendo registros de sua existência já em 1696. Anos mais tarde, índios Cariris invadiram o local e se apossaram da ilha de Assunção, no rio São Francisco. Em 1762 foi criada a paróquia, por ato da Mesa de Consciência e Ordens, sendo o seu primeiro vigário o padre Gonçalo Coelho de Lemos, nomeado pelo bispo D. Francisco Xavier Aranha, por provisão de 07 de abril de 1762. O distrito de Cabrobó foi criado por Alvará de 14 de novembro de 1786, pertencendo à freguesia de Santa Maria. A origem do topônimo Cabrobó é controversa, existindo várias versões. Mário Melo afirma provir do cariri caprobó (guerra), enquanto José de Almeida Maciel registra como “guerra, luta” ou “árvore ou mato de urubus”, além de uma nova interpretação: “lugar de cobras pretas”. Os dicionários Houaiss e Aurélio traduzem o termo como “indivíduo paupérrimo”, “de pés no chão”, “à toa” (citado in Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades). Sebastião de Vasconcelos Galvão afirma que a palavra é de origem indígena, de caa (árvore ou mato) + orobó (urubu) significando “árvore ou mato de urubus”. Podendo também provir de capro (negro, escuro) + boi (cobra), significando “lugar de cobras negras”, dando-se a corruptela de Caproboi para Cabrobó. Em 20 de maio de 1833, por Resolução do Conselho do Governo de Pernambuco, foi criado o termo do julgado de Cabrobó, da comarca de Flores, abrangendo as freguesias de Cabrobó, Exu, Assunção e Santa Maria. A povoação de Cabrobó foi elevada à categoria de vila, com a mesma denominação e território desmembrado do de Boa Vista, pela Lei Provincial nº 345, de 13 de maio de 1854. A Câmara foi instalada em 08 de novembro do mesmo ano. A Lei Provincial nº 398, de 04 de abril de 1857, anexou a freguesia de Sagueiro ao termo de Cabrobó.

A comarca de Cabrobó foi criada pela Lei Provincial nº 520, de 13 de maio de 1862, compreendendo os termos de Cabrobó e Exu. Foi classificada comarca de primeira entrância pelo Decreto nº 2.966, de 03 de setembro de 1862, tendo Leocádio de Andrade Pessoa como primeiro juiz de Direito. A Lei Provincial nº 580, de 30 de abril de 1864, elevou a povoação de Salgueiro à categoria de vila, para onde transferiu a sede da comarca de Cabrobó. O município foi constituído no dia 07 de janeiro de 1893, adquirindo autonomia legislativa, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre José Barbosa Lima. Por força dessa lei, o município foi dividido em dois distritos administrativos e judiciários: freguesia de Cabrobó (1º distrito) e freguesia de Belém (2º distrito, criado pela Lei Municipal nº 2, de 1º de dezembro de 1892). O primeiro prefeito foi o tenente-coronel Jerônimo de Carvalho Trapiá. A Lei Estadual nº 252, de 03 de julho de 1897, elevou a vila de Cabrobó à categoria de cidade. O distrito de Belém foi elevado à categoria de vila, ainda pertencendo a Cabrobó, pela Lei Estadual nº 558, de 13 de junho de 1902. A Lei Estadual nº 597, de 07 de maio de 1903, transferiu a sede do município de Cabrobó para a vila de Belém, a qual foi elevada à categoria de cidade pela mesma lei. Com isso, foi retirada a autonomia administrativa e judiciária da cidade de Cabrobó, deixando-a na condição de distrito de Belém. Em face da Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, Cabrobó, que fora rebaixado a simples povoação, voltou a ter foros de vila. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de dois distritos: Cabrobó e Belém de Cabrobó.

O município de Cabrobó, com sede na cidade de Belém, passou a denominar-se Belém de Cabrobó pela Lei Estadual nº 1.641, de 10 de maio de 1924. Foi elevado novamente à categoria de município, desmembrado de Belém, com a denominação de Cabrobó, pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, com sede na cidade de igual nome. Foi instalado em 1º de janeiro de 1929. Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como no anexo ao Decreto-lei Estadual nº 235, de 31 de março de 1938, o município aparece constituído pelos distritos de Cabrobó e Orocó (este, criado em 1934), e figura como termo componente da comarca de Salgueiro. A comarca de Cabrobó foi restaurada pelo Decreto Estadual nº 472, de 20 de março de 1940, desanexada da comarca de Salgueiro, sendo reinstalada em 28 de junho do mesmo ano, pelo juiz Renato Dornelas Câmara. Os limites do município de Cabrobó com os de Boa Vista (atual Santa Maria da Boa Vista) e Leopoldina (atual Parnamirim) foram modificados pelo Decreto-lei Estadual nº 505, de 19 de junho de 1940. A Lei Estadual nº 4.976, de 20 de dezembro de 1963, elevou o distrito de Orocó à categoria de município, desmembrado de Cabrobó. Em divisão territorial datada de 1º de janeiro de 1979 o município é constituído apenas pelo distrito sede, assim permanecendo em divisão de 2005.

Localização no Estado

Mapa de Pernambuco com a localização de CABROBÓ em destaque
Localização de CABROBÓ no mapa do estado de Pernambuco

Origem do Nome

Hipótese Tupi-Guarani
Caa-orobó

Segundo Sebastião de Vasconcelos Galvão, significaria "árvore ou mato de urubus".

Hipótese Cariri
Caprobó

Interpretado por Mário Melo como "guerra" ou "luta", refletindo o contexto histórico de ocupação e resistência na região.

Interpretação Histórica

Fontes

Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. Recife: CEHM, 2006. V. 3.
ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 18.
FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: CEPE, 2009
GALVÃO, Sebastião de V. Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. Recife: CEPE, 2006. V. 1.
PERNAMBUCO. Tribunal de Justiça. História das Comarcas Pernambucanas. 2ª Ed. Recife, 2010.